Carta aberta do Sporting Clube Farense

A definição de grandeza depende da alma de quem a sente. Para muitos não são as grandes montras ou a constância das grandes conquistas que dão cadência ao coração. É um amor hereditário, carinhosamente passado de geração em geração, pela mão de pais e avós e de tudo aquilo que está para lá dos holofotes da indústria.

É aqui que os nossos sonhos se tornam diferentes: para uns, os sonhos são maiores, para nós, apenas mais distantes. Talvez isso faça com que o caminho muitas vezes esteja sujeito a soluções alternativas, menos condignas e elegantes, que no fundo servem apenas para encurtar distâncias, mas que em nada elevam este desporto.

No Farense escolhemos o caminho do trabalho e da honestidade: por um lado, torna o caminho mais longo, por outro, torna-o muito mais meritório. É aqui que reside a explicação para a frase que todos nós ouvimos um dia: “amor, o Farense é um clube muito grande”, ainda que poucas vezes faça manchetes na imprensa escrita ou notícias de abertura na TV. É aqui que a grandeza cresce na alma de quem a sente. É aqui que este amor se faz mais genuíno.

O Sporting Clube Farense regressou a pulso a um lugar que é seu por natureza. Regressámos na raça, na competência, no trabalho e na transparência. Regressámos por mérito e pela mão da honestidade. Regressámos pelo compromisso, afeto e fidelidade de quem nunca nos largou.

Contudo nunca seremos ingénuos. No Sporting Clube Farense não abdicaremos nunca do que nos move. Não seremos nunca submissos. Não hesitaremos nunca em defender até ao limite aquilo que são os interesses deste clube e das suas gentes.

Sabemos onde estamos e o que temos que fazer.

Contudo, o que se passou ontem no jogo entre o Sporting Clube Farense e o Rio Ave FC envergonha o futebol português e frusta aqueles que, apenas com muito esforço, ajudaram em menos de 48h a servir de exemplo para todo o país. Pediram-nos trabalho e nós dissemos sim. Pediram-nos competência e nós estivemos lá.

Por isso, que este trabalho e honestidade sejam reflexo de toda uma indústria e não apenas apontamentos de alguns poucos. Que se lembrem que há mundo para cá do Tejo e que o futebol é de todos nós. Que se saiba que estamos cá.
O futebol é nosso. A indústria é dos outros.

Obrigado a todos os adeptos.

Obrigado a todos vós que, espalhados por este país, continuam a defender justiça e a equidade pelas cores dos vossos.

Somos mais se formos muitos, mas somos maiores se formos unidos!

SÓ OS DUROS VENCEM!

Pelo Sporting Clube Farense,
João Barão Rodrigues.

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